Os Números

O ritmo e a intensidade da entrada de imigrantes, de 1875 em diante, seriam determinados basicamente pelas diferentes medidas adotadas pelo governo central e, subsidiariamente, pelo governo provincial.

A contar de 1876 a imigração italiana no Brasil supera em definitivo e, com larga diferença quantitativa, a alemã; a imigração portuguesa é também ultrapassada, mas esta vem a sobrepor-se a todas as demais de 1910 em diante, mesmo considerando o afluxo de japoneses começando em 1908, e a constante, porém diminuída entrada de italianos.

Até 1875 as chegadas de italianos verificaram-se irregularmente. Calcula-se que em 1863 a 1874 entraram pelo porto do Rio de Janeiro 10.651 italianos, retornando quase 50 por cento à Itália. Até então o Brasil não estava interessado nessa imigração.

Conforme primeiro censo brasileiro realizado em 1872, o número total de italianos, no território do Império, não alcançava 6 mil. Em 1876 chegam a 7 mil. No fim de 1880 haveria cerca de 50 mil. No decênio de 1881 a 1890 identificava-se a imigração, devido ao surto cafeeiro em São Paulo e à retomada da colonização nos Estados do Sul, 1891 a 1900 a imigração atinge seu máximo com o total de 650 mil e o retorno, muito acentuado, de 230 mil, ou sejam 35%. Baixa daí em diante a imigração e agrava-se o problema do retorno, mas este nunca assume valores negativos.

Não há dúvida quanto à presença de imigrantes italianos no Rio Grande antes de 1875; o Presidente da província no relatório que em 1876 apresentou à Assembleia Legislativa, afirmava que entre 1859 e 1875 haviam entrado 12.563 imigrantes, dos quais 729 eram italianos.

A entrada de imigrantes da província fazia-se preponderantemente por navios que vinham diretamente a Porto Alegre ou em barcos que apanhavam no Rio de Janeiro os colonos destinados ao Rio Grande, em números muitas variáveis e de diversas nacionalidades.

A grande imigração italiana para o Rio Grande incrementa-se realmente em 1876 e 77, mantendo-se constante entre 3 e 4 mil indivíduos anualmente até 1888, com exceção de 1884, quando desce a pouco mais de 1 mil; no ano de 1885, atinge excepcionalmente a 7.600. Com as medidas propiciadas pelo regime republicano, volta a registrar-se uma entrada de mais de 7 mil em 1889, seguida de quase 3 mil no ano seguinte e de 9 a 7 mil e tantos respectivamente, em 91 e 92.

Nas estatísticas dessa imigração os italianos representam, entre 1882 e 92, com exceção dos anos de 90 e 91, sempre mais de 70 por cento de todas as nacionalidades recebidas; apesar disto estão sempre acima da média de 40 por cento até 1907, época em que passam a contribuir com menos de 10 por cento.

Em um cálculo aproximado, estima-se que do total de imigrantes que veio para o estado, 54% eram vênetos, 33% de lombardos, 7% de trentinos, 4,5% de friulanos e as outras regiões forneceram os restantes 1,5%. Calcula-se que, entre 1875 e 1914, entraram no estado entre 80 e 100 mil italianos.

Em geral os colonos preferiam agrupar-se com os seus conterrâneos, o que determinava a formação de núcleos mais ou menos homogêneos segundo as origens dos seus ocupantes e os dialetos que falavam. Mesmo com a preferência deste tipo de agrupamento tinham que conviver com os diversos dialetos italianos e com os próprios nativos (portugueses) e com isso formarem um próprio dialeto o TALIAN que é uma mistura de todos os dialetos, porém com a supremacia do veneto.

Talian é hoje uma das primeiras línguas reconhecidas como Referência Cultural Brasileira pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e que agora passam a fazer parte do Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL), conforme dispõe o Decreto 7387/2010.

De 1875 a 1914, entre 80 a 100 mil italianos foram introduzidos no Rio Grande do Sul e no Brasil em torno de 1.243.633. A Embaixada Italiana divulgou em 2013 que no Brasil são mais de 30 milhões, de italianos ou seus descendentes o que corresponde a 15% da população brasileira, que seria mais da metade da população da Itália que era de 58 milhões.

Povo sem História é um povo sem presente e sem futuro.