Familia Dal Castel

IMIGRAÇÃO

Povo sem História é um povo sem presente e sem futuro!

Meados do século XIX, a Itália vivia um momento muito conturbado e para muitos a ideia de emigrarem, foi uma boa alternativa, para uma vida melhor.
Ndemo far la Merica”, vamos fazer a América, esse era o mote principal e a motivação maior era “Far la CUCAGNA”, vamos fazer riqueza, no sentido maior, ter uma vida descente.
A IMIGRAÇÃO foi a grande saída.
Imigração – Porque da Imigração? Inúmeras razões nos levam a crer a ocorrência desse fato. Vejamos alguns, mas acima de tudo não podemos esquecer que os Vênetos sempre foram povos migrantes em seus 5 mil anos de história.
Imigração – Porque da Imigração? Inúmeras razões nos levam a crer a ocorrência desse fato. Vejamos alguns, mas acima de tudo não podemos esquecer que os Vênetos sempre foram povos migrantes em seus 5 mil anos de história.
Alguns motivos:

O CONTEXTO POLITICO.

A Itália no início do século XIX(1800) não era a Itália dos nossos
dias. O território encontrava-se dividido em 7 Estados comandados por famílias
nobres, pelo Papa ou sob controle da Áustria.
A partir de 1852 sob a liderança de um ministro piemontês o Conde Camilo de Cavour, com a ajuda de lideranças regionais como Mazzini e Garibaldi, a unificação foi acontecendo em etapas:

– Primeiro a conquista da Lombardia em 1859, 
– segundo com a anexação em 1860 dos estados de Modena, Parma, Toscana e da Romagna (que pertencia ao Papa) e 
– também das 2 Sicílias que haviam sido conquistadas por Garibaldi. O Rei do Piemonte, Vítor Emanuel II declarou-se rei da Itália com capital em Florença.
A última etapa da unificação se dá com a conquista de Veneza do domínio austríaco e da conquista dos estados pertencentes ao Papa (Estados Pontifícios) em 1871. Vitório Emanuel II toma Roma. O Papa Pio IX passa a considerar-se um prisioneiro de Roma que torna-se finalmente capital da Itália.
O Papa teima em não reconhecer o estado italiano. Com este episódio considera-se o final do período do “Rissorgimento”.
Para consolidação do Estado Italiano, os moderados assumiram posturas mais conservadoras, abandonaram as ideias republicanas e formaram uma monarquia centralizada.

MOTIVOS BÁSICOS

Conquanto não existam publicações oficiais italianas senão a partir de 1876, estatísticas contemporâneas indicam que as regiões do Piemonte, da Lombardia e do Veneto forneciam, nos anos de 1869 a 1872, 70% de toda emigração italiana. A parte setentrional da Itália contribuía para expulsar a população, sobretudo a camponesa, em busca de melhores condições de vida. A partir de 1880, especialmente de 1886 a 1893, verifica-se uma considerável emigração em caráter permanente da Bassa (Bassano del Grappa), a parte meridional do Treviso, Verona, Padova e Rovigo. Em algumas províncias a evasão atingia 6% e 7% da população total, subindo a 12 e até 18% em certas comunidades, em algumas das quais permaneceram apenas de 60 a 70 habitantes. O ano de maior êxodo foi 1878. Parte para o exterior 75000 venetos em 1891 e 40000 em 1893. 
A superpopulação, por si mesma, não explicaria o impulso emigrantista. Nem este era espontâneo, o abandono da terra de nascença por meio de emigração nunca é espontâneo, mas, ao contrário, resulta de condições de existência difíceis de suportar, e da exploração do negócio da emigração por diversos interesses.
Convém destacar dois fatos : o primeiro, comum a toda a Europa, foi o grande crescimento demográfico, experimentado entre 1815 e 1914, que fez com que, nesse período, a população do velho continente saltasse de 180 para 450 milhões de habitantes, o que provocou a emigração para outros continentes de 40 milhões de pessoas – 85% das quais para as Américas. 
O segundo foi o processo de unificação, que em ambos os países foi tardia: em 1870 na Itália, em 1871 na Alemanha.
Os problemas com os quais se defrontavam os jovens italianos eram imensos. Um estado novo sem o sentimento de nacionalidade, os governantes ainda privados de experiências. E muitíssimas coisas a fazer: escolas, estradas, hospitais, saneamento. E depois harmonizar 7 exércitos, 7 línguas, 7 moedas, 7 constituições, 7 modos diferentes de ver e de aplicar a justiça.
A malária matava ainda 40.000 pessoas por ano (também Cavou, morreu de malária). Só nos anos de 1884-1887 a cólera matou 55.000 pessoas. A estatística oficial fala em cerca de 400.000 mortos por ano. Metade desta cifra é formada de crianças menores de 5 anos, que acabavam no cemitério porque não havia sabão, havia pouca higiene e o médico era inacessível.
No momento da unificação a Itália, Roma tinha 180.000 habitantes, Milão 240.000, Turim 200.000, Gênova 150.000, Palermo 180.000, Nápoles, já então, extraordinária e miserável, era a segunda cidade da Europa: a sua população chegava a 430.000 habitantes. 
Nesse quadro de pobreza e atraso, que é descrito por autores italianos contemporâneos, inclusive em relatórios e publicações oficiais, salientam-se outros dados denunciadores do injusto regime econômico-social que forçava a emigração. Um desses era o analfabetismo.
Era evidente que o abandono da pátria, recentemente unificada não era só pela superpopulação, mas principalmente pela miséria.

A PROVÍNCIA DE SÃO PEDRO.

O primeiro período de imigração começa no Brasil em 1808 quando o príncipe Dom João promulga decreto assegurando aos estrangeiros direito à propriedade territorial. Com a subida de D. Pedro I ao torno independente, a Coroa inaugura uma política determinada e revolucionária.
Já em 1747 se daria uma provisão admitindo no Brasil famílias ou casais de Estrangeiros, especialmente artesãos, que não fossem súditos de soberanos que tivessem posses na América, povoar e valorizar regiões do Brasil que ficavam fora das áreas dominadas. A colonização imperial, que beneficiaria sobre tudo a província de São Pedro do Rio Grande do Sul, com a fundação da colônia de alemães em São Leopoldo no ano de 1824, começara ainda antes que existisse uma legislação atualizada. 
Somente depois de cerca de 20 anos de tentativas e de medidas isoladas decidiu-se o Império por uma regulamentação daquele tipo de povoamento. 
O Rio Grande legisla pela primeira vez em 1851 sobre a concessão dos lotes aos colonos, dando a estes gratuitamente a terra, alguns instrumentos agrícolas e sementes.
Somente em 1854 é promulgada uma legislação provincial que regula a colonização até o fim do século e supera os inconvenientes da cessão gratuita das terras. As normas então estabelecidas são as que adotarão para a colonização italiana, de 1875 em diante. 
A principal área de emigração para o Rio Grande, na Itália, foi o Vêneto, onde a crise era maior por volta de 1875, sobretudo nas províncias de Vicenza, Treviso e Verona. Também vieram muitos de Cremona, Mântua e parte da Bréscia, regiões próximas do Vêneto, e do Bérgamo, província no sopé dos Alpes. 
A região de Trento, especificamente na área de Trentino Alto Ágide (que só foi anexada à Itália após a Primeira Guerra Mundial) e de Friuli-Venécia Julia (principalmente nas montanhas próximas ao Vêneto) também forneceram emigrantes para o Rio Grande.

A CRIAÇÃO DAS COLÔNIAS.

Embora tenham encontrado um Rio Grande mais organizado economicamente, os italianos tiveram de enfrentar dificuldades semelhantes às vividas pelos alemães.
Mas, embora ambas as colonizações tenham sido feitas em zonas de mato, as áreas de ocupação italiana eram mais altas e mais acidentadas. Enquanto a colonização alemã atingiu seu ponto máximo em Nova Petrópolis (597 metros de altitude), a italiana se faria em altitudes que variavam entre 600 e 900 metros. Isto porque a colonização alemã seguira os vales dos rios de parte da Depressão Central, interrompendo-se nas encostas inferiores da Serra Geral. A região da Encosta superior estava desocupada, e a colonização italiana começaria ali – entre os vales dos Rios Caí e das Antas, limitando-se ao norte com os campos de Cima da Serra, e ao sul com as colônias alemãs do vale dos rios das Antas e Caí.
As primeiras colônias na Encosta Superior foram as de Conde D’Eu e Dona Isabel (atualmente Garibaldi e Bento Gonçalves, respectivamente), criadas pela presidência da província em 1870, antes que se iniciasse o processo de imigração italiana no estado.
É a partir de 1875 que chegam as primeiras levas de italianos para Conde D’Eu e Dona Isabel. A área dessas colônias encontrava-se limitada pelo rio Caí, os campos de Vacaria e o município de Triunfo, sendo divididas entre si pelo caminho de tropeiros que seguia do local chamado de Maratá em direção ao rio das Antas (Conde d’Eu ficava à esquerda, Dona Isabel à direita).
No mesmo ano – 1875 – foi criada a colônia Caxias, no local chamado pelos tropeiros que subiam a serra em direção a Bom Jesus de “Campo dos Bugres”.
Esta colônia limitava-se com Nova Petrópolis, São Francisco de Paula, o rio das Antas e Conde d’Eu e Dona Isabel. Dois anos depois, em 1877, foi criada uma nova colônia para imigrantes italianos, a de Silveira Martins, em terras de mato próximas de Santa Maria mais conhecida como a quarta colônia.
Essas quatro colônias oficiais foram o núcleo básico da colonização italiana que, a partir dali, em uma primeira etapa, transbordaria para regiões próximas, que foram ocupadas por colônias particulares, e mais tarde atingiria o planalto. Foi assim que, em 1884, os colonos começaram a atravessar o rio das Antas e foi criada Alfredo Chaves; São Marcos e Antônio Prado (1885) foram, por sua vez, um prolongamento natural de Caxias.
Também o governo imperial (pouco depois federal) criou as colônias.
HOJE, em todo o Brasil, temos a presença de descendentes do primeiros que aqui chegaram, face a migração interna, que começou com a travessia do Rio das Antas e dirigiu-se pelo norte do Rio Grande do Sul e mais acentuadamente pelo OESTE de SC, PR e Brasil Central e Norte.

OS NÚMEROS (ainda que divergentes!).

O ritmo e a intensidade da entrada de imigrantes, de 1875 em diante, seriam determinados basicamente pelas diferentes medidas adotadas pelo governo central e, subsidiariamente, pelo governo provincial.
A contar de 1876 a imigração italiana no Brasil supera em definitivo e, com larga diferença quantitativa, a alemã; a imigração portuguesa é também ultrapassada, mas esta vem a sobrepor-se a todas as demais de 1910 em diante, mesmo considerando o afluo de japoneses começando em 1908, e a constante, porém diminuída entrada de italianos.
Até 1875 as chegadas de italianos verificaram-se irregularmente. Calcula-se que em 1863 a 1874 entraram pelo porto do Rio de Janeiro 10.651 italianos, retornando quase 50 porcento à Itália. Até então o Brasil não estava interessado nessa imigração. 
Conforme primeiro censo brasileiro realizado em 1872, o número total de italianos, no território do Império, não alcançava 6 mil. Em 1876 chegam a 7 mil. No fim de 1880 haveria cerca de 50 mil. No decênio de 1881 a 1890 identificava-se a imigração, devido ao surto cafeeiro em São Paulo e à retomada da colonização nos Estados do Sul, 1891 a 1900 a imigração atinge seu máximo com o total de 650 mil e o retorno, muito acentuado, de 230 mil, ou sejam 35%. Baixa daí em diante a imigração e agrava-se o problema do retorno, mas este nunca assume valores negativos.
Não há dúvida quanto à presença de imigrantes italianos no Rio Grande antes de 1875; o Presidente da província no relatório que em 1876 apresentou à Assembleia Legislativa, afirmava que entre 1859 e 1875 haviam entrado 12.563 imigrantes, dos quais 729 eram italianos.
A entrada de imigrantes da província fazia-se preponderantemente por navios que vinham diretamente a Porto Alegre ou em barcos que apanhavam no Rio de Janeiro os colonos destinados ao Rio Grande, em números muitas variáveis e de diversas nacionalidades.
A grande imigração italiana para o Rio Grande incrementa-se realmente em 1876 e 77, mantendo-se constante entre 3 e 4 mil indivíduos anualmente até 1888, com exceção de 1884, quando desce a pouco mais de 1 mil; no ano de 1885, atinge excepcionalmente a 7.600. Com as medidas propiciadas pelo regime republicano, volta a registrar-se uma entrada de mais de 7 mil em 1889, seguida de quase 3 mil no ano seguinte e de 9 a 7 mil e tantos respectivamente, em 91 e 92.
Nas estatísticas dessa imigração os italianos representam, entre 1882 e 92, com exceção dos anos de 90 e 91, sempre mais de 70 por cento de todas as nacionalidades recebidas; apesar disto estão sempre acima da média de 40 por cento até 1907, época em que passam a contribuir com menos de 10 por cento.
Em um cálculo aproximado, estima-se que do total de imigrantes que veio para o estado, 54% era de vênetos, 33% de lombardos, 7% de trentinos, 4,5% de friulanos e as outras regiões forneceram os restantes 1,5%. Calcula-se que, entre 1875 e 1914, entraram no estado entre 80 e 100 mil italianos.
Cerca de 1,4 milhões de pessoas entraram no Brasil, muitos deles em grupos familiares. A maioria procedia das regiões do Vêneto, Lombardia, Campania, Basilicata, Calábria, Sicília, Abruzzo, Molise, Lazio e Umbria, partindo principalmente dos portos de Gênova e Nápoles; a partir de 1905, também de Palermo e Messina.
Em geral os colonos preferiam agrupar-se com os seus conterrâneos, o que determinava a formação de núcleos mais ou menos homogêneos segundo as origens dos seus ocupantes e os dialetos que falavam

Na Colônia… A REALIDADE!

As condições em que a colonização se implantava não eram, compreensivelmente, sempre boas.
As expectativas dos imigrantes nem sempre se cumpriam. Alguns imigrantes se apresentam a Colônias sem estarem incluídos nas relações oficiais que lhes asseguravam certas garantias, não eram poucos os que passavam sérias dificuldades e sofrimentos, sobretudo desabrigo, falta de terra para cultivar, até fome.
Mas tudo isto ou em parte foram superados graças a sua capacidade e disposição para o trabalho. O bem-estar e o êxito dos colonos dependia, além do mais, de suas capacidades e disposição para o trabalho.
Era-lhes necessária uma fibra espartana para se dedicarem à agricultura e se constituírem em pequenos proprietários. ‘Tutti senza denaro’, todos sem dinheiro.
Assim muitos escritores, mencionam as muitas lágrimas derramadas pelos colonos na solidão da mata, até acharem onde se estabelecer.
A demora na demarcação dos lotes, inevitável em vista da frequente chegada de grupos de centenas de candidatos, sem tempo para qualquer preparativo nas colônias, poderia ser uma das causas de pessimismo de tais situações.

Um Brasil… ITALIANO.

Os números da imigração podemos constatar que hoje temos uma “ITÁLIA”, dentro do nosso Brasil.

Ao Brasil chegaram mais de 1,5 milhão de imigrantes italianos e hoje segundo a Embaixada Italiana no Brasil, afirma que somos mais de 30 milhões de descendentes.
O Brasil é o MAIOR país com raízes italianas no mundo. Para marcar esse fato, de acordo com a Lei nº 11.687 de 2 de junho de 2008, oficialmente foi instituído o DIA NACIONAL DO IMIGRANTE ITALIANO, o qual é comemorado no dia 21 de fevereiro, data essa que marcou a chegada ao Espirito Santo da Expedição de Pietro Tabacchi em 1874. Esse evento marcou o início da imigração em massa italiana ao Brasil com a inda de 386 imigrantes, sendo maioria do Império Austríaco e alguns do Reino da Itália, mais precisamente Venetos.
Santa Catarina, reivindica o direito de ser o Estado que teria recebido os primeiros imigrantes italianos, pelo fato de que em na cidade de São João Batista, teria sido fundada a Colônia Nova Itália em 1836, mas a questão não foi aceita pelo fato de que em 1836, não existia o Reino da Itália e o imigrantes eram do Reino da Sardenha.
Outra expedição anterior a de Tabacchi foi a de Salino Tripotti, o qual chefiou uma leva de mais de 50 imigrantes Venetos e fundaram a Colônia Alexandra na cidade de Morretes no Paraná em 1872. Esses mesmos imigrantes em 1877 migraram para uma nova Colônia denominada de Nova Itália, no mesmo município de Morretes.
No Rio Grande do Sul, com a criação das primeiras colônias em 1870, teve início a chegada dos primeiros imigrantes e temos como oficial que os primeiros imigrantes chegaram ao estado em 20 de maio de 1875, foram as famílias de Luigi Sperafico, Stefano Crippa e Tomaso Radaelli onde se assentaram na localidade inicialmente chamada de Barracão e posteriormente de Nova Milano, face que as três famílias provinham de MILANO.
Existe uma controvérsia sobre essa oficialização e com uma certa razão. Afirmam alguns estudiosos e historiadores, que na localidade de TORINO, que hoje é do município de Carlos Barbosa, na época Colônia Conde D’Eu, teria sido o local onde os primeiros italianos se assentaram. Razão fácil de entender. Torino se situava no início da serra, do caminho dos imigrantes, que à serra chegavam pelo Vale do Rio Cai até São Vendelino (Colônia Santa Maria de Soledade), sopé da serra, último reduto das colônias alemãs.
Números oficias indicam que ao RGSul chegaram 187.031 imigrantes entre os anos de 1824 e 1924, sendo:

Polacos ……   32,561
Alemães  ….   48.044
Italianos ….   76.168

IMIGRAÇÃO VENETA… um pouco mais…

Para compreendermos o contexto em que se deram as grandes imigrações italianas é necessário que compreendamos qual o contexto político em que elas aconteceram.
A Itália no início do século XIX não era a Itália dos nossos dias. O território encontrava-se dividido em 7 Estados comandados por famílias nobres, pelo Papa ou sob controle da Áustria:
A primeira tentativa de unificação foi liderada por um rei do Piemonte-Sardenha chamado Carlos Alberto em 1848 declarando guerra contra a Áustria. Este movimento ficou conhecido pelo nome de Jovem Itália e foi acompanhado de uma outra expressão, mais de cunho cultural que era “Rissorgimento”. 
A partir de 1852 sob a liderança de um ministro piemontês o Conde Camilo de Cavour, com a ajuda de lideranças regionais como Mazzini e Garibaldi, a unificação foi acontecendo em etapas:
Primeiro a conquista da Lombardia em 1859, segundo com a anexação em 1860 dos estados de Modena, Parma, Toscana e da Romagna (que pertencia ao Papa) e também das 2 Sicílias que haviam sido conquistadas por Garibaldi. O Rei do Piemonte, Vítor Emanuel II declarou-se rei da Itália com capital em Florença.
A última etapa da unificação se dá com a conquista de Veneza do domínio austríaco e da conquista dos estados pertencentes ao Papa (Estados Pontifícios) em 1871. Vitório Emanuel II toma Roma. O Papa Pio IX passa a considerar-se um prisioneiro de Roma que se torna finalmente capital da Itália. O Papa teima em não reconhecer o estado italiano. Com este episódio considera-se o final do período do Ressorgimento. 
Para consolidação do Estado Italiano, os moderados assumiram posturas mais conservadoras, abandonaram as ideias republicanas e formaram uma monarquia centralizada.
No final década de 1880 a Itália dava seus primeiros passos. Era uma Itália pequena, desconhecida e pobre.
Os problemas com os quais se defrontavam os jovens italianos eram imensos. Um estado novo sem o sentimento de nacionalidade, os governantes ainda privados de experiências. Muitíssimas coisas a fazer: escolas, estradas, hospitais, saneamento. E depois harmonizar 7 exércitos, 7 línguas, 7 moedas, 7 constituições, 7 modos diferentes de ver e de aplicar a justiça.
A grande massa dos italianos nascia, vivia e morria sobre o mesmo lugar, a sombra do mesmo campanário, ligados a pequenos hábitos, a tabus ancestrais, a duras privações, a raras festas barulhentas.

A GRANDE IMIGRAÇÃO VÊNETA
As propriedades não garantem mais o sustento da população. Se dirigem em massa para o Brasil e para a Argentina. Tanto em um país como em outro as condições que encontram são péssimas.
As autoridades italianas não tomam nenhuma providência a não ser tentar dificultar a imigração através de leis.
O corpo consular da Itália não enxergava nos imigrantes italianos cidadãos que deveriam ser defendidos, mas com sua miséria, eram vistos como uma vergonha para pátria.
A viagem era feita em condições terríveis por companhias de transporte italianas que carregavam os imigrantes como animais 
Para os camponeses que emigraram não existia formada uma ideia de nacionalidade, para aqueles que refletiam sobre a questão, eis como ela aparece:
“Que coisa entendeis por uma nação, senhor Ministro? É a massa dos infelizes? Ah, então sim, nós somos uma verdadeira nação…Plantamos e ceifamos o trigo, mas nunca provamos o pão branco. Cultivamos a videira, mas não bebemos vinho. Criamos animais, mas não comemos carne. Estamos vestidos de farrapos…E apesar disto, vós nos aconselhais, senhor Ministro, a não abandonar a nossa pátria. Mas é uma pátria a terra em que não se consegue viver do próprio trabalho?” 
Embora sejam raras as documentações sobre a travessia do Oceano Atlântico sabemos através de relatos que eram grandes os problemas enfrentados a bordo.
Eram comuns nascimentos e mortes nos navios, devido a superlotação dos vapores era grande o desconforto. A lei que previa uma área de 2,25m³ por emigrante não era cumprida. Doenças como cólera e crupe a bordo. Tempestades, incêndios a bordo. Alimentação de péssima qualidade 
A narrativa a seguir ilustra bem a situação:
“No vapor italiano Matteo Bruzzo, a cólera se alastrou, em caráter epidêmico no decorrer dos últimos dias de novembro de 1884. Segundo telegrama proveniente de Angra dos Reis, cadáveres de coléricos foram arrojados à praia. Diante de situação tão grave, a diretoria da Sociedade Central de Imigração fazia um apelo dramático aos poderes públicos, através da imprensa, dizendo que a decomposição dos cadáveres que iam dar à praia, expostos às ardências do sol e à voracidade dos peixes, os quais constituíam parte básica das populações do nosso litoral, era rápidos portadores da peste e, portanto rigorosas medidas de higiene deveriam ser tomadas.”